Por que sua mente não para? O ciclo do excesso de pensamentos

Por que sua mente não para? O ciclo do excesso de pensamentos | Pauline Garske

Pauline Garske

5/28/20262 min ler

Existe uma crença bastante comum de que pensamos demais porque somos ansiosos.

Mas talvez a relação seja mais complexa do que isso.

Ao longo da prática clínica, percebo que muitas pessoas não estão apenas preocupadas. Elas estão tentando encontrar, através do pensamento, uma sensação de segurança que nunca chega.

Pensam antes de dormir.

Pensam ao acordar.

Pensam sobre o futuro.

Pensam sobre o passado.

Pensam sobre algo que disseram.

Pensam sobre algo que deveriam ter dito.

E, curiosamente, quanto mais pensam, menos respostas encontram.

O cérebro não gosta de incertezas

Existe uma explicação interessante para isso.

Nosso cérebro foi desenvolvido para prever riscos, identificar ameaças e buscar soluções.

Durante milhares de anos, essa habilidade aumentou nossas chances de sobrevivência.

O problema é que o cérebro moderno continua tentando prever coisas que simplesmente não podem ser controladas: relacionamentos, decisões importantes, opiniões dos outros, mudanças inesperadas e o próprio futuro.

Então ele faz o que sabe fazer melhor.

Pensa.

Quando pensar se torna uma forma de evitar sentir

O que poucas pessoas percebem é que, muitas vezes, pensar não é uma forma de resolver um problema.

É uma forma de evitar o desconforto que aquele problema provoca.

Enquanto estamos analisando possibilidades, construindo cenários ou buscando explicações, temos a sensação de que estamos fazendo algo útil.

Mas nem sempre estamos.

Às vezes, estamos apenas tentando não sentir medo, insegurança, tristeza ou frustração.

Por isso, algumas pessoas chegam ao final do dia mentalmente exaustas.

Não porque trabalharam demais.

Mas porque passaram horas tentando controlar, através dos pensamentos, situações que não dependiam delas.

A armadilha invisível do controle

A mente entra em um ciclo silencioso:

"Se eu pensar mais um pouco, talvez encontre a resposta."

Mas a resposta não vem.

Porque a pergunta não era racional.

Era emocional.

E emoções não costumam se resolver apenas com raciocínio.

Talvez seja por isso que tantas pessoas relatam uma sensação estranha: sabem exatamente o que deveriam fazer, mas continuam presas nos mesmos pensamentos.

O problema não está na falta de conhecimento.

Está na dificuldade de compreender o que esses pensamentos estão tentando proteger.

Como a psicoterapia pode ajudar?

Na psicoterapia, não buscamos simplesmente fazer a mente parar.

Pensar é uma capacidade importante e necessária.

O objetivo é compreender por que determinados pensamentos retornam tantas vezes, quais medos os alimentam e que necessidades emocionais podem estar escondidas por trás deles.

Em meu trabalho clínico, procuro olhar para além do sintoma. Mais do que combater pensamentos repetitivos, busco compreender sua origem, a função que exercem na vida da pessoa e as experiências que contribuíram para esse funcionamento.

Quando compreendemos aquilo que os pensamentos estão tentando proteger, eles deixam de ocupar tanto espaço.

A pessoa percebe que não precisa vencer a própria mente.

Precisa aprender a escutá-la de uma forma diferente.

Talvez sua mente não esteja acelerada porque existe algo errado com você.

Talvez ela esteja trabalhando horas extras para proteger partes suas que ainda estão cansadas, assustadas ou sobrecarregadas.

E, muitas vezes, o primeiro passo para encontrar silêncio não é pensar mais.

É começar a escutar.

R. Sen. Pinheiro Machado, 1376 - Sala 201 - Marques Ribeiro, Cachoeira do Sul - RS, 96508-022

Marfim Copyright © 2026 Pauline Garske. Todos os direitos reservados.

Endereço
Contato
(51) 99835-6631